A Ascensão do Dinheiro - Niall Ferguson

A Ascensão do Dinheiro - Niall Ferguson

Conheça os detalhes fundamentais sobre o desenvolvimento econômico global, desvendando suas raízes e sua história, desde o surgimento do dinheiro até os dias atuais.

Nesse resumo do livro "A Ascensão do Dinheiro" vamos conhecer detalhes fundamentais sobre o desenvolvimento econômico global. Entender que há uma conexão e um "porquê" dos problemas financeiros encarados por nossa sociedade.

Você já parou para pensar qual a interferência real do dinheiro nas nossas vidas? Alguma vez já se questionou porque nossa sociedade é tão afetada por questões econômicas desde o surgimento do dinheiro?

Não existe, na contemporaneidade, sociedades totalmente excluídas de relações comerciais, seja qual for sua amplitude.

Quer saber mais? Siga com a gente nessa história da economia!

Sobre o livro "A Ascensão do Dinheiro"

"A Ascensão do Dinheiro", de título original em Inglês "The Ascent of Money", é um ensaio do autor Niall Ferguson, publicado pela primeira vez em em 2008 pela Editora Penguin Press, recebendo a tradução e adaptação pela Editora Planeta do Brasil em 2009.

O livro foi best-seller do The New York Times e ganhou adaptação para documentário televisivo pela rede BBC.

A obra possui 6 capítulos, nos quais o autor Niall Ferguson discorre sobre alguns dos âmbitos compreendidos pela problemática já apontada no título do livro.

Sobre o autor Niall Ferguson

Especialista em história financeira e econômica, Niall Ferguson é um comentador político, definido como neoconservador.

Nascido em Glasgow na Escócia, estudou em Magdalen College, Oxford e leciona nas universidades de Harvard, Stanford e em Oxford (onde recebeu o doutorado).

Grande parte dos seus livros se tornaram best-sellers como "Kissinger (1923-1968)" e "The World's Banker: The History of the House of Rothschild". Em 2004 foi eleito pela revista Time como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo.

Esse livro é indicado para quem?

"A Ascensão do Dinheiro" é recomendado para economistas e estudiosos de temas relacionados à área de finanças e economia.

Também pode ser de grande contribuição para profissionais do campo da historiografia, administração, ciências políticas e relações internacionais como fonte de pesquisa, análise e crítica.

Ideias principais do livro "A Ascensão do Dinheiro"

Antes de começarmos, confira aqui algumas das propostas centrais da obra, resumidas em tópicos:

  • A necessidade de dinheiro foi construída com o tempo;
  • O dinheiro só tem valor quando alguém está disposto a dar algo por ele;
  • Dinheiro é questão de confiança;
  • A agiotagem surge como método exploratório e distinção de poder;
  • Com a industrialização, o número de bancos cresceu absurdamente (e este crescimento acelerado gerou crises);
  • Somos afetados de uma forma ou de outra pelo mercado de títulos;
  • O mercado de título influência diretamente na política de governo;
  • O mercado de ações cria bolhas que podem estourar a qualquer momento;
  • A bolsa de valores e o mercado de ações surgiram praticamente juntos;
  • O mercado de seguros é falho e ineficiente. Ele se desenvolveu muito mais com influência matemática do que comercial;
  • Uma renda equilibrada constante é a única segurança verdadeira.

E aí, quer aprender mais? Então, vamos lá!

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[Resumo do Livro] A Ascensão do Dinheiro - Niall Ferguson, PDF

Overview: Sonhos de ganância

Niall Ferguson inicia falando sobre a necessidade do dinheiro como algo construído com o tempo e com a cultura.

A não necessidade do dinheiro, remonta à uma vida primitiva e de subsistência.

O dinheiro surgiu inicialmente como um meio de troca confiável, então teria que ser:

  • Durável;
  • Fungível;
  • Portátil;
  • Confiável.

Mas o dinheiro tem valor apenas quando alguém está disposto a dar algo por ele.

Ele é como uma nota promissória, quem o aceita como troca comercial, confia na sua elegibilidade e durabilidade. É uma questão de confiança.

O dinheiro não faz o mundo girar, mas impulsiona as coisas a girarem pelo mundo.

O autor explicita, então, a importância da inserção de métodos matemáticos, como o de Fibonacci, para a contabilidade comercial.

As trocas comerciais emergiram relações e distinções étnicas, como mostrado no "Mercador de Veneza" de Shakespeare. Esta obra nos mostra três coisas importantes das origens modernas de empréstimos financeiros:

  1. O poder do emprestador;
  2. A importância das cortes judiciais;
  3. E a vulnerabilidade étnica.

Assim, Niall Ferguson aborda as taxas da agiotagem, os juros altíssimos e a violência e abuso do poder por detrás deste processo.

Ele faz um breve panorama sobre a atuação dos Médici no século XIV. Eles foram os primeiros banqueiros a ter efetividade hereditária e a poder atuar com magnitude sobre a atual Itália.

Após os Médici, surgiram algumas outras instituições financeiras importantes e revolucionárias, como os Bancos de Câmbio de Amsterdã e de Estocolmo, praticando, para além dos empréstimos e transações, as reservas financeiras.

Outra instituição de destaque foi o Banco da Inglaterra, que logo estabeleceu monopólio parcial em emissão de notas.

Houve uma inovação financeira com os diferentes bancos que surgiam na Europa e na América do Norte, principalmente após o "boom" industrial. Inovações como o comércio transatlântico ou os bancos rurais.

Outra evolução foi a criação dos Bancos de Poupança, que desempenharam papel fundamental na estabilização da economia mundial na virada do século.

O crescimento acelerado de bancos gerou crises como a Grande Depressão nos EUA em 1929. Só houve diminuição real no número de bancos em 1993.

Os Estados Unidos da América encaram a falência como direito inalienável. Logo, tinham o fracasso como parte do processo para êxito econômico.

Porém, 98% dos pedidos de falência são definidos como não comerciais. O maior fator é a insolvência.

Embora esses fatores existam, o autor defende que o mundo sem dinheiro é pior do que o mundo com dinheiro. Principalmente com base na comparação entre governos capitalistas e socialistas.

Os problemas econômicos são ocasionados pela falta de instituições capazes de gerir a economia com eficiência e total controle.

Mas o maior dos problemas ocorreu quando a ascensão dos bancos foi seguida pela expansão dos mercados de títulos e o abuso dos empréstimos.

Overview: Servidão Humana

Aqui, Niall Ferguson discute sobre o mercado de títulos, o qual somos afetados de duas formas:

  1. Grande parte do que reservamos para a velhice acaba investida no mercado de títulos;
  2. A imensidão do mercado de títulos permite estabelecer as taxas de juros de longo prazo.

Assim, ele é tão sublime que pode ditar a política de governo de um Estado.

No decorrer da História, os Estados fizeram dívidas gigantescas com eventos bélicos. Houve financiamentos de guerras desde o renascimento italiano.

As cidades-estados italianas contribuíram para o surgimento dos mercados de títulos, solicitando empréstimos dos próprios cidadãos para financiar guerras em troca da concessão de títulos.

Esses empréstimos se tornaram uma montanha de dívidas que se erguia sobre toda a Europa.

Nessa época, Nathan Mayer Rothschild, nomeado pelo autor como o Bonaparte das finanças, fundou o maior banco do mundo no século XIX em Londres.

Outro marco neste contexto foi a batalha de Waterloo, uma batalha com aspectos financeiros de dois extremos:

  1. Pela França é baseada no saque;
  2. Pelo lado Britânico é baseada em dívidas.

A experiência como contrabandista de Rothschild foi aproveitada pelos britânicos.

Os Rothschild já possuíam uma rede bancária pronta composta por vários locais dentro da família.

Nathan articulou e arquitetou vendas de títulos e ouro no findar da guerra de Waterloo se aproveitando do pânico geral, sendo "uma das negociações mais audaciosas da história financeira".

Os Rothschild se tornaram mais temidos do que amados. Eles mantinham a unidade familiar judaica nos casamentos e, com sua influência, colocaram em questão o antissemitismo.

Na guerra de secessão nos EUA, a confederação pediu auxílio financeiro aos Rothschild para derrotar o Norte, mas foram negados.

Neste contexto, títulos confederados passaram a ser vendidos por algodão sulista como garantia.

Eles perderam força pela queda de New Orleans e pelos novos mercados mundiais de algodão.

Na América Latina, a crise do mercado de títulos começou em 1826, sobretudo na Argentina.

O não pagamento de dívidas de títulos gerava acima de tudo bloqueios econômicos.

É aí que entra outra figura: os Rentiers. Eles eram recebedores de juros sobre os títulos governamentais, que formavam uma elite interligada por fatores sociais, políticos e econômicos.

Os Rentiers diminuíram expressivamente sua dominação após a inflação da I Guerra Mundial.

Uma forma de entender a hiperinflação no findar desta guerra é ver a derrota como uma espécie de falência do Estado, um fenômeno político.

Para explicar melhor, o autor nos traz um panorama das hiperinflações pelo mundo, mostrando que não há recursos que resistam à uma má administração financeira.

A inflação na contemporaneidade diminuiu e os títulos voltaram à tona por alguns fatores:

Porém, o rendimento dos títulos tem declinado.

Overview: Inflando Bolhas

Aqui, alguns aspectos do mercado de ações são elencados em "A Ascensão do Dinheiro":

  • As formações das empresas e companhias;
  • O anseio das pessoas em participar das ações;
  • A bolsa de valores enquanto produto da psique humana, com suas inconsistências e variações;
  • Os estágios das ações nas bolsas são variados;
  • Há alguns personagens marcantes envolvidos nas ações como os neófitos (investidores de primeira viagem) e os vigaristas;
  • Existem assimetrias entre quem está "por fora" e "por dentro" do processo;
  • E, principalmente, as bolhas que são conjuntos de ações dentro das bolsas de valores.

Niall Ferguson contextualiza a evolução das principais companhias acionistas, sobretudo do setor financeiro, entre o final do século XVI e início do século XVII.

A bolsa de valores nasceu em um espaço de poucos anos de diferença das companhias acionárias, pois logo que surgiram ofertas públicas de ações, surgiu também um mercado secundário para suas compra e venda.

John Law, de Edimburgo, propôs soluções aos problemas enfrentados pela França após os gastos de Luís XIV com guerras.

Ele queria reviver a confiança econômica na França, criando um banco público como o que havia na Holanda, porém com a especificidade de poder emitir papel-moeda.

Law tinha o plano de transformar as dívidas do governo em ações.

Ele atraía muitos parisienses "bem de vida" e acabou sendo indicado como controlador geral da França.

Sua bolha de ações Mississipi explodiu e ressoou por toda a Europa, o que acabou ocasionando um atraso no desenvolvimento econômico da França.

As crises das bolsas de valores tem suas bases em crises políticas e econômicas que as antecederam.

Como exemplo, o autor mostra que a crise de 1929 tem insurgência na crise dos produtos ocidentais ao findar da Primeira Guerra Mundial.

Em 1990, surge a bolha tecnológica/ internet na bolsa de valores.

O autor traz diversos "altos e baixos" de companhias que geraram ações e, muitas delas, caíram nas estatísticas da falência.

Uma dessas empresas é a indústria Enron, cuja história do principal executivo Kenneth Lay se aproxima com a de John Law.

A ideia era criar um banco de energia para intermediação entre fornecedores e consumidores, mas da mesma forma que Law, isto era um sistema fraude com base na manipulação do mercado.

Overview: O Retorno do Risco

Neste capítulo, vamos conhecer um pouco mais sobre a história da administração do risco, devido à imprevisibilidade da vida e dos fatos que nos cercam.

Niall Ferguson cita a ineficiência do mercado de seguros após o desastre de New Orleans. Este sistema unia iniciativa privada às ações governamentais perante riscos e, no final, deixava os pagantes "a ver navios".

O princípio fundamental do seguro deve ser poupar antes de uma provável futura adversidade.

O seguro como ramo do comércio data, segundo alguns estudiosos, do começo do século XIV, tanto de bens quanto de vida.

Mas não havia base teórica para a avaliação dos riscos, estas bases apareceram somente no século XVI, mais sobre influência de matemáticos do que de comerciantes, tais como:

  • Probabilidade;
  • Expectativa de vida;
  • Certeza;
  • Distribuição normal;
  • Utilidade;
  • Inferência.

Após a Segunda Guerra Mundial, as companhias de seguro foram autorizadas a investir na bolsa de valores.

As companhias devem se utilizar das estatísticas para prever os desembolsos para cada ano, já que a quantidade de segurados importa.

A atuação do Estado em garantia de seguros estrutura a população e os índices de natalidade e mortalidade. Também garante e configura os sistemas políticos de determinada sociedade.

Além dos seguros e da previdência, pode-se comprar uma garantia, fundos, contrato de futuros, eliminando riscos relacionados ao preço.

Mas, para se garantir é necessário sobretudo dinheiro, quem não tem não se garante.

É uma aposta de mão única.

Overview: Seguro como casas

A propriedade e as ações no mercado imobiliário são marcas fundamentais na nossa cultura e história econômica.

Desde pequeno, somos ensinados a valorizar o setor imobiliário, sobretudo no "mundo de fala inglesa".

A posse de residência já foi privilégio de uma elite aristocrática e repassada de forma hereditária.

Hoje já está mais difundida em outras classes com o declínio da aristocracia e passou a servir como segurança na obtenção de empréstimos, o que o autor enxerga como um problema.

O conceito democrático de posse de propriedade foi desenvolvido sobretudo na América, após muitas manifestações e reivindicações dos espaços urbanos.

Os incentivos do governo para compra de imóveis e solicitação de empréstimos foram marcas fundamentais deste processo, no qual foram constituídos impérios imobiliários.

Existem algumas diferenças da propriedade para com outras formas de ativo, tais como:

  • Casas precisam de manutenção pois se degradam com o tempo;
  • São geralmente mais caras para converter em moedas;
  • São menos voláteis.

Uma renda equilibrada constante é a única segurança verdadeira para o autor.

Overview: Do Império à Chimerica

As maiores ameaças ao sistema financeiro provém atualmente dos centros econômicos globais e não dos mercados emergentes.

Isso se deve especialmente à globalização e integração dos mercados internacionais, em um mundo com fronteiras menos reguladas.

O início do século XX foi fundamental para os investimentos estrangeiros pelo fato da melhoria das tecnologias, essencialmente nos meios de comunicação.

Entretanto, os avanços da primeira era da globalização foram interrompidos pela Primeira Guerra Mundial, e demorou uma geração toda para se reerguer e se materializar após a década de 1960.

Ao final da guerra, uma nova estrutura financeira foi planejada com os seguintes aspectos:

  • Liberdade progressiva de movimentação de capital entre fronteiras;
  • Taxa fixa de câmbio;
  • Política monetária independente.

Estes preceitos foram se estabelecendo com mais clareza e efetividade a partir de acordos internacionais vindouros.

Houve o florescimento dos chamados "pistoleiros econômicos" que se aproveitavam sobretudo da imperialização americana de taxação e supremacia do dólar.

Os computadores, desde o início de 1980, vêm transformando os mercados financeiros.

A China tem a economia que mais cresce no mundo e conseguiu até hoje evitar crise comuns aos outros mercados emergentes;

"Chimerica" é a junção de China mais América, uma parceria que conseguiu baixar as taxas de juros globais, sobretudo em decorrência de empréstimos.

O que outros autores dizem a respeito?

Em "O Investidor Inteligente", Benjamin Graham explica como investir em ações e as características de um investidor que sabe jogar na bolsa de valores: disciplina e consistência.

Já a autora Jill Schlesinger, em seu livro "The Dumb Things Smart People Do With Their Money", alerta o leitor: conselhos financeiros devem vir de pessoas certas. Se você tem problemas com dinheiro, é aconselhável procurar um consultor financeiro para te ajudar a planejar seus gastos.

Por fim, para refletir, Tony Robbins, em seu livro "Inabalável", diz que muitas pessoas ganham dinheiro, mas não se sentem melhor. Algumas das pessoas mais ricas do mundo vivem com medo constante de perder tudo. Isso é riqueza? Para se sentir realmente rico, é preciso tomar conta de suas emoções.

Certo, mas como posso aplicar isso na minha vida?

Agora que você conhece um pouco mais sobre a história do dinheiro, que tal recapitular ideias expressas no livro com algumas dicas práticas?

  • Reflita sobre qual o valor que você dá para o dinheiro no seu dia a dia: você acredita que de alguma forma colabora para importância frenética que o mundo dá pro dinheiro hoje em dia?;
  • Suas relações financeiras são totalmente seguras e confiáveis?;
  • Imagine um mundo onde o dinheiro não exista, como seriam feitas as trocas comerciais?;
  • Ao andar pelas ruas observe a quantidade de bancos que existem pelo seu bairro;
  • Conte em um dia quantas transações financeiras você faz;
  • Observe as diferenças de classe que existem na sua cidade, isso seria resolvido somente com a redistribuição econômica?;
  • Reflita sobre o papel do Estado nos problemas econômicos do local em que vive;
  • Pense se você está seguro de alguma possível catástrofe;
  • Estude sobre os conflitos internacionais ocasionados essencialmente pelo dinheiro.

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Você acredita que os problemas financeiros que encaramos no mundo de hoje são frutos de um processo histórico? Qual foi a informação que mais te intrigou?

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